Carlos e Gil

Gil: -E aí Carlos, tudo bem? Como você está?

Carlos: – Fala aí Gil, eu estou bem graças a Deus!

Gil:  – Quanto tempo a gente não se vê, não é mesmo?

Carlos:  – É verdade Gil, faz uns 9 anos mais ou menos!

Gil:  – Caramba mano, tempão, mas mudando de assunto, estou a passeio aqui na cidade, me conta o que mudou por aqui?

Carlos: – Olha Gil, mudou muita coisa ao longo do tempo, mas me fala o que você quer saber especificamente?

Gil: – Fala então sobre os grupos de rap que tinha na cidade?

Carlos:  – Os grupos? Bem, daqueles que você conhecia, só restou um, pois os ouros se acabaram, uns por falta de incentivo e apoio financeiro, outros porque não queriam seguir o Hip Hop e ter grupo de rap e foram fazer outras coisas.

Gil: – Nossa Carlos, e eu que achei que todos já tinham até EP gravados e fazendo sucesso por ai!

Carlos:  – Que nada, em nossa cidade o preconceito, discriminação e falta de conhecimento não deixou com que esses artistas pudessem continuar com seus trabalhos, foram muitas portas na cara, ou então não deixavam eles cantarem em eventos.

Gil: – Carlos, conta mais sobre isso!

Carlos: – Então, naquela em que você morava aqui há 9 anos atrás, o Hip Hop era bem conhecido e estava até começando a ser respeitado, você lembra bem disso, mas neste período em que você foi embora muitas coisas aconteceram que fez com que o Hip Hop diminuísse e que os rappers desistissem de seguir esta carreira, não foi nada fácil.

Gil: – Putz mano, que fita hein!

Carlos: – É mano, mais ainda tem um grupo de rap que resistiu e esta ai tentando conscientizar a galera, tentando o seu lugar na cultura da cidade, pra eles também não está sendo fácil, ainda hoje o preconceito é o seu pior inimigo, as pessoas que fazem eventos e festivais não chamam eles para cantar, porque dizem que o rap não é música, aqui em nossa cidade só pra você ter uma ideia, tem muitas festas, e bandas de Rock, MPB, Sertanejos, Samba são chamados constantemente, mas o grupo de rap nunca ne fora cogitados em ser chamados nesses lugares e ainda mais se for pagar cachê, ai que não chamam mesmo!

Gil: – Mais e os festivais de rap que aconteciam na cidade, eu lembro que era muito forte, que vinha muitos grupos fazer show?

Carlos: – Sim, tiveram muitos festivais não só de rap, mas de Hip Hop em si, já aconteceu festivais que uniram no mesmo dia o rap e o Break, e foi lindo de se ver, outras vezes vieram grupos de rap de renome nacional, mas já outros festivais não foram tão bons assim!

Gil: – O que houve nesses festivais Carlos?

Carlos: – Muita coisa aconteceram, foram grupos que não vinha pra cantar, outros que não dava muito publico e assim era prejuízo para quem fazia, e teve até um festival que era para ter sido o maior de todos, veio grupos de varias cidade de Minas, São Paulo e outras cidades, mas no dia do festival, choveu de policia na porta do evento e foi uma grande confusão, foi artista preso, publico sendo expulso do local, a organização que teve que devolver o dinheiro, olha foram muitos transtornos e o festival não aconteceu, só ficou o trauma de quem estava lá naquele dia, foi horrível!

Gil: – Com certeza foi pura discriminação e preconceito com A cultura Hip Hop!

Carlos: – Sim, foi! Mas depois deste acontecido, os organizadores prometeram que eles iriam estudar e buscar informações para que nunca mais voltasse a acontecer aquilo em um evento de Hip Hop e então começaram a se organizar e disso nasceu uma posse, e esta posse começou a ler livros dos mais variados temas, se reuniam para trocar informações, começaram a trazer mais jovens para eles e ensinar sobre leis, sobre arte, tinha aulas de dança, desenho, enfim se organizaram e depois disso nunca mais aconteceu aquele imprevisto.

Gil: – Que legal mano, fiquei bem feliz agora, que coisa maravilhosa, eles transformaram o negativo em positivo, está vendo isso sim é o verdadeiro Hip Hop.

 – Na cidade onde moro, o Hip Hop é tratado como uma cultura e tem muito apoio, não só do poder público, mas também dos comerciantes, da população em si. Tem muitos festivais que chamam os artistas do rap, eles ganham seu cachê e os manos e minas do break, Dj e grafite são reconhecidos também como artistas, a maioria trabalha por conta e existem muitas escolas que ensinam a arte do Hip Hop, e eu torço de coração que um dia aqui também nesta cidade onde eu nasci e cresci e tenho o maior orgulho, que venha também reconhecer os artistas do Hip Hop, eles merecem!

Carlos: – Pois é meu mano, este grupo de rap que está aí resistindo é merecedor de tudo isso aí que você disse, depois te passo o contato deles pra você tentar ajuda – lós.

Gil: – Claro, passa sim que eu levo lá para os meninos do Hip Hop!

Carlos; – Mano, a nossa conversa está muito boa, mas tenho que ir embora, ainda vou passar no mercado e levar a mistura para a patroa fazer o almoço, mas foi muito bom te encontrar por aqui!

Gil: – Claro mano, vai nessa eu também vou indo, foi bom também conversar com você e me atualizar, em breve nós veremos!

Carlos: – Faloww!

Gil: – Falowww!!!


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